Descritos sem qualquer identificação das partes, no formato que interessa a quem avalia contratar um perito: o desafio técnico, o método aplicado e o resultado alcançado.
Perícia séria não expõe cliente. Por dever de sigilo profissional, os casos desta página são descritos sem qualquer identificação das partes: nomes, marcas, ramos específicos, endereços técnicos, datas exatas e identificadores de sistemas foram removidos, e os números foram arredondados de modo a impedir reconhecimento.
O que permanece é o que interessa ao leitor que avalia contratar um perito: o desafio técnico enfrentado, o método aplicado e o resultado alcançado.
Alguns dos casos abaixo chegaram ao laboratório depois que outras equipes declararam a apuração inviável, ou quando o prazo processual já corria contra a parte. Nenhum deles depende de sorte: todos dependem de método documentado, cadeia de custódia e da disposição de olhar onde ninguém olhou.
Casos com repercussão pública, nos quais a atuação já foi noticiada, estão identificados como tal.
O desafio. Uma plataforma que processa pagamentos sofreu invasão, teve dados destruídos e não dispunha de ferramentas dedicadas de detecção. O invasor havia usado software legítimo de administração remota como disfarce e apagado seus próprios rastros. A pergunta da diretoria era dupla: houve negligência da equipe interna e existe algum caminho para chegar ao responsável?
O método. Reconstrução da linha do tempo completa a partir de semanas de registros de autenticação, sem lacunas, demonstrando o momento exato do primeiro acesso ilegítimo. O exame do programa malicioso revelou o que nenhuma ferramenta convencional detectaria: o canal de comando e controle não estava em um servidor, mas gravado em contratos inteligentes de uma blockchain pública. A perícia decodificou as transações e recuperou o endereço de controle que o invasor havia apagado, porque o registro em blockchain é imutável. A partir daí, mapeou a rede financeira do agente: mais de noventa carteiras interligadas e mais de cento e vinte mil transações preservadas como evidência, consultadas apenas em registro público, sem qualquer interação com a infraestrutura do invasor.
O resultado. O laudo entregou às autoridades caminhos concretos de identificação: a exchange internacional que opera a carteira central, os emissores de moedas estáveis com capacidade legal de congelar fundos e as plataformas com cadastro de identidade dos titulares. Também demonstrou tecnicamente que a equipe interna não incorreu em omissão: o tempo de permanência do invasor ficou dentro da média mundial para ataques desse nível de sofisticação, e o evento destrutivo foi detectado em pouco mais de vinte minutos, com neutralização no mesmo dia.
O desafio. Investigação criminal de grande repercussão, com treze celulares de oito investigados sob exame. O inquérito e a perícia oficial já haviam concluído pela participação de uma das pessoas investigadas. O volume de material era, ele próprio, parte do problema: quanto mais aparelhos entram na mesma análise, mais coincidências aparentes surgem entre eles.
O método. Extração forense completa do aparelho, com recuperação de dados de aplicativos, reconstrução da linha do tempo e montagem da árvore de vínculos entre os envolvidos, tudo gravado em mídia somente leitura e lacrada. Cada correlação apontada como indício de participação foi testada individualmente contra explicações alternativas, exatamente o exame que o volume de aparelhos havia impedido na análise anterior.
O resultado. Os vínculos que sustentavam a acusação se revelaram falsos positivos: convergências de contato, horário e circulação de mensagens que não demonstravam participação alguma. O laudo, com mais de trezentas páginas entregues em quarenta e cinco dias, demonstrou o equívoco da conclusão oficial, e a pessoa acusada foi inocentada. A mídia lacrada assegurou que nem acusação nem defesa pudessem inserir ou suprimir conteúdo depois da coleta.
O desafio. Uma plataforma que atende mais de uma centena de organizações em ambiente compartilhado teve o servidor de produção comprometido, com implantação de código capaz de capturar dados de cartão em trânsito. Entre os clientes hospedados, uma organização de grande visibilidade exigia resposta imediata: seus dados foram capturados?
O método. Análise sobre cópia forense de meio terabyte, com integridade conferida por assinatura criptográfica antes de qualquer exame. A reconstrução identificou o vetor de entrada na aplicação web, a cadeia de comandos remotos executados, o código de captura implantado e o destino de exfiltração pretendido. O trabalho separou, com rigor, três atores frequentemente confundidos em incidentes: o invasor, os administradores legítimos e a própria equipe de resposta, afastando falsos positivos. Identificou ainda a falha estrutural que tornara o ataque possível, uma chave criptográfica de aplicação compartilhada entre todos os portais da plataforma.
O resultado. A perícia demonstrou que o código de captura não foi implantado nos diretórios daquele cliente e que a tentativa de extração de dados de cartão não alcançou a sua base, cujo serviço já havia sido migrado para outro ambiente semanas antes. A prova negativa, tecnicamente sustentada, encerrou a exposição da organização ao incidente. O exame também documentou a reação do invasor ao perceber a resposta em curso, comportamento que reforçou a caracterização de ação deliberada.
O desafio. Uma empresa suspeitava que sua base de clientes, construída ao longo de anos, estivesse sendo usada por uma concorrente. Suspeita não é prova: era preciso demonstrar tecnicamente que aqueles dados específicos, e não dados obtidos por esforço próprio, estavam nos computadores do outro lado. O material foi apreendido em diligência judicial, e a análise precisava resistir à alegação de coincidência.
O método. A perícia partiu de um princípio simples: toda base de dados carrega marcas próprias. Foram selecionados campos que não teriam qualquer possibilidade de colisão por acaso, entre eles o código interno de usuário do sistema da empresa e a razão social exatamente como grafada em seu cadastro. Esses termos foram confrontados contra todo o acervo apreendido, incluindo arquivos apagados e conteúdo de correio eletrônico recuperado, com registro da data de gravação de cada arquivo no sistema operacional examinado.
O resultado. Mais de quatro mil e setecentas correlações entre os dados da empresa e o material encontrado nos equipamentos da concorrente, com milhares de documentos sensíveis identificados e datados. A coincidência de campos únicos, impossível de explicar por trabalho independente, demonstrou o reaproveitamento da base. Aqui o dado não foi apenas encontrado: ele foi vinculado à sua origem.
O desafio. Uma advogada teve as senhas de suas contas em três provedores diferentes alteradas por terceiro, que baixou e apagou arquivos pessoais e profissionais. Além do dano imediato, o caso atingia o sigilo profissional e a inviolabilidade que a lei assegura ao advogado no exercício da profissão. As ferramentas de autoatendimento das provedoras mostravam apenas uma janela curta de acessos, insuficiente para apurar autoria.
O método. Preservação técnica do que ainda existia nas três plataformas, com cadeia de custódia documentada, e análise comparada dos relatórios de segurança de cada provedor. O exame demonstrou tecnicamente por que os dados disponíveis ao usuário comum não bastavam e o que precisaria ser requisitado de cada provedora e das operadoras de conexão.
O resultado. O parecer fundamentou o pedido judicial de obrigação de fazer para que as provedoras apresentassem os registros completos, ainda dentro do prazo legal de guarda de seis meses previsto no Marco Civil da Internet. Sem essa providência a tempo, os vestígios de autoria teriam expirado e o caso morreria por falta de prova, e não por falta de razão.
O desafio. Contrato assinado em plataforma de assinatura eletrônica, com certificado de conclusão em ordem, era negado pelo suposto signatário. A parte contrária sustentava que a validade técnica da assinatura encerrava a discussão.
O método. Exame da trilha de auditoria da plataforma e dos metadados da operação, confrontando dispositivo, endereço de origem e padrão de uso com o histórico do contratante.
O resultado. A assinatura partiu de dispositivo jamais utilizado pelo contratante em qualquer outra operação. O certificado atestava o processo da plataforma, não a identidade de quem estava do outro lado da tela: distinção que sustentou a tese em juízo.
O desafio. Pessoa física acionada por contrato que afirmava jamais ter firmado, cenário de litígio de massa em que a assinatura é o único elo entre a dívida e o suposto devedor.
O método. Confronto grafotécnico com padrões contemporâneos de origem incontestável, exame dos elementos de ordem genética do gesto e registro fotomicrográfico dos achados.
O resultado. Divergências técnicas identificadas fundamentaram a declaração de falsidade e a anulação do contrato.
O desafio. Empresa notificada por desenvolvedora internacional com cobrança milionária apurada em auditoria do próprio fabricante.
O método. Conferência independente do relatório contra o inventário real do parque: máquinas desativadas, licenças não computadas e métricas aplicadas de forma incorreta.
O resultado. Imprecisões técnicas demonstradas reduziram em cerca de sessenta por cento o valor inicialmente reivindicado, em negociação conduzida sobre fatos verificáveis.
O desafio. Gravação clandestina atribuída a uma das partes em disputa familiar, com pedido de identificação do falante.
O método. Análise fonética comparativa entre a amostra questionada e padrões de voz colhidos por protocolo dirigido, com conclusão expressa em grau de suporte probabilístico.
O resultado. Conclusão pela não identificação: a pessoa foi excluída como autora da gravação. A prova negativa também é resultado, e frequentemente é a que mais importa para quem está sendo acusado.
O desafio. Disputa entre contratante e desenvolvedora sobre projeto entregue parcialmente, com ambas as partes atribuindo à outra a responsabilidade pelo fracasso.
O método. Análise técnica independente do escopo contratado, das entregas efetivas e das dependências que cabiam a cada lado, seguida de facilitação da negociação sobre os fatos apurados.
O resultado. Responsabilidades compartilhadas demonstradas tecnicamente, com acordo sobre entrega parcial e redução mútua de expectativas financeiras, sem litígio judicial.
Em casos de repercussão nacional, a atuação técnica foi acompanhada e noticiada pela imprensa. Nesses episódios, o que se apresenta abaixo já é de conhecimento público.
Investigação de cerca de dois meses sobre rede de perfis falsos que usava imagens de um jornalista para aplicar golpes. Falhas técnicas na ferramenta de ocultação usada pelos criminosos permitiram identificar o endereço real de conexão e chegar à localização do responsável no exterior, com o material encaminhado às autoridades.
Capturas de tela de supostas conversas juntadas a processo eleitoral foram integralmente reproduzidas pela perícia, em vídeo e em poucos minutos, com aparelhos comuns. A demonstração fundamentou a conclusão de fraude sem necessidade de acesso aos arquivos originais.
Participação como especialista em emissoras de TV explicando o processo técnico de extração e o que a análise dos aparelhos apreendidos foi capaz de demonstrar sobre a cronologia dos fatos.