Todo arquivo carrega a própria história: metadados, camadas, versões e datas. O exame lê o que o documento mostra e o que ele tenta esconder.
Antes de qualquer análise, o exame responde à pergunta que define todo o método: o arquivo é nato-digital, criado e concluído no computador sem nunca existir em papel, ou é a digitalização de um documento físico? Confundir as duas naturezas é um dos erros mais comuns da área: "periciar o PDF" quando o que está em exame, na verdade, é a imagem de um papel que ninguém viu.
No documento nato-digital, o próprio arquivo é o documento, e a sua estrutura interna guarda a história completa. No digitalizado, o arquivo é apenas o retrato: o conteúdo gráfico (assinatura, texto, leiaute) pede o método da grafotécnica e da documentoscopia clássicas, enquanto o exame do arquivo verifica quando e como o retrato foi produzido, e se sofreu edição depois disso.

Documentoscopia digital é disciplina única na VALLIM Perícias: a ponte entre o Doc Lab e o Data Lab.

Muito além do "Propriedades do arquivo": dicionário Info (/Author, /Producer, /CreationDate, /ModDate), metadados XMP e a coerência entre o software gerador declarado e a estrutura real dos objetos. Quando a etiqueta e o conteúdo não combinam, há história a apurar.
O PDF carrega as fontes que usa. Uma fonte lançada no mercado depois da data declarada do documento é um anacronismo digital: o equivalente, no arquivo, à tinta que ainda não existia na época do papel.
O hash é a impressão digital criptográfica do arquivo: qualquer alteração posterior, de um único bit, produz um hash diferente. Registrado na recepção, ele demonstra que o objeto examinado é exatamente o que foi entregue.
O documento existia na data que declara? Carimbos do tempo, protocolos, trilhas de e-mail e versionamento em nuvem permitem confrontar a data alegada com os vestígios dos sistemas por onde o arquivo passou.
Comprovantes, atestados e contratos sintéticos: artefatos de geração, inconsistências tipográficas e de leiaute, e o confronto com o template legítimo do emissor. A fraude ficou mais fácil de produzir e continua deixando vestígio.
Como o arquivo chega ao exame importa tanto quanto o exame: recepção do original (nunca "print do PDF"), registro de hash no primeiro contato, preservação e espelhamento documentados até o laudo.
Na Idade Média, pergaminhos eram raspados e reescritos; sob a luz certa, o texto antigo reaparece por baixo do novo. É o palimpsesto. O PDF pode se comportar exatamente assim: quando salvo por acréscimo (a chamada edição incremental), o arquivo não apaga o que existia, apenas escreve por cima, preservando dentro de si as versões anteriores.
O exame estrutural identifica os vestígios desse processo (múltiplas tabelas de referência, objetos sobrescritos) e reconstrói a linha do tempo interna do arquivo: o que existia antes, o que foi acrescido e em que ordem. Um valor alterado, uma cláusula enxertada ou uma assinatura inserida depois podem estar registrados dentro do próprio documento que os esconde.
Nem todo PDF guarda essas camadas: um salvamento completo as descarta. Por isso a cadeia de custódia é decisiva: cada conversão e cada reenvio pode destruir a camada que decidiria o caso.
Conversas de WhatsApp e de outros aplicativos chegam ao processo de três formas, e elas não valem o mesmo. A hierarquia probatória é declarada no laudo:

Quando a conversa é o centro do litígio, documentoscopia digital e forense computacional deixam de ser dois exames: aqui, são um só trabalho, conduzido pelo mesmo método. Conheça o núcleo de Forense Computacional →
O arquivo original é recebido pelo canal orientado e o hash registrado no primeiro contato. A partir daí, qualquer alteração posterior é demonstrável.
Natureza do documento (nato-digital ou digitalizado), software gerador, metadados e camadas: o mapa do arquivo antes de qualquer exame específico.
Conforme o caso: edição incremental, anacronismos de fonte e leiaute, tempestividade, confronto com o template legítimo, indícios de montagem ou geração por IA.
Cada achado documentado de forma que outro perito, seguindo os mesmos passos sobre o mesmo arquivo, chegue ao mesmo resultado. É isso que sustenta a prova em juízo.
Consulte também
Assinaturas Eletrônicas → Grafotécnica e Documentoscopia → Forense Computacional →
Análise forense de metadados e logs revelou que a assinatura foi realizada de dispositivo nunca utilizado pelo contratante.
Antes de decidir, vale ver o que já passou por este laboratório: casos descritos sem identificar as partes, no formato desafio, método e resultado.
O canal de controle do invasor estava gravado em contratos inteligentes. A perícia decodificou o que ele havia apagado e entregou às autoridades os caminhos de identificação.
Ver o caso Prova negativaA perícia oficial havia concluído pela participação. O reexame demonstrou que os vínculos eram falsos positivos, e a pessoa acusada foi inocentada.
Ver o caso