Início // NÚCLEOS PERICIAIS // PROVA DIGITAL

Recuperação Forense de Dados

Laboratório próprio que recupera dados de mídias com dano lógico, eletrônico ou físico e entrega, junto com os arquivos, a cadeia de custódia que os sustenta como prova em juízo.

O problema

Recuperar o arquivo é metade do problema

O HD que caiu guardava os e-mails que demonstram a fraude. O celular quebrado contém as conversas decisivas do processo trabalhista. O servidor formatado tinha a contabilidade da empresa em litígio societário. Nesses cenários, o dado perdido não é um arquivo: é prova.

E quando o dado perdido é evidência, a forma de recuperá-lo decide se ele será aceito ou impugnado. A recuperação devolve o arquivo; só o método forense devolve o arquivo com a documentação que o sustenta diante da parte contrária.

O Superior Tribunal de Justiça vem consolidando a régua: prova digital sem hash, sem lacre e sem documentação de manuseio é prova vulnerável. No AgRg no HC 828.054/RN (5ª Turma, 2024) e no RHC 205.441/GO (6ª Turma, 2025), a ausência desses cuidados levou à inadmissibilidade e à nulidade.

A mesma lógica alcança o dado recuperado: um HD enviado a uma recuperadora comum volta com os arquivos, mas sem hash de aquisição, sem lacre e sem registro de quem tocou na mídia. A parte contrária impugna, e a prova cai.

Da mídia danificada à prova: recuperação com cadeia de custódia
O diferencial forense

O que muda quando a recuperação é forense

A diferença não está apenas na ferramenta de recuperação: está em tudo o que acontece antes, durante e depois dela. O procedimento inclui, em todos os casos:

  • Recebimento documentado: fotografia do estado original da mídia, registro de número de série e IMEI, lacre numerado e termo de cadeia de custódia.
  • Imagem forense bit a bit antes de qualquer intervenção, com bloqueador de escrita sempre que a mídia permite.
  • Hash criptográfico SHA-256 da aquisição, verificável por qualquer das partes, a qualquer tempo.
  • Trabalho exclusivamente sobre a cópia: a mídia original é preservada e devolvida novamente lacrada.
  • Intervenções físicas documentadas: quando a imagem só é possível após reparo, cada etapa é fotografada, com identificação dos componentes substituídos e do doador utilizado (marca, modelo e número de série).
  • Registro de cadeia de custódia: quem manipulou, quando, o quê e por quê, do recebimento à devolução, nos termos dos arts. 158-A a 158-F do CPP e da ABNT NBR ISO/IEC 27037.
  • Entrega acompanhada de relatório técnico ou laudo apto a instruir processo judicial.
Troca de cabeças de leitura em disco aberto dentro da câmara limpa, com unidade doadora
DATA LAB · Câmara Limpa ITroca de cabeças · unidade doadora
Estação de recuperação de dados do Data Lab
DATA LABEstação de recuperação
Câmara limpa do Data Lab, com bancada de ferramentas de precisão
DATA LABCâmara Limpa II
Estrutura

Laboratório próprio, estrutura dedicada

A recuperação forense exige ambiente e ferramental que não se improvisam. O laboratório reúne:

Ambiente

Cabine de fluxo laminar

Abertura de mídias em ambiente de ar filtrado e controlado. Um prato magnético exposto a partículas comuns de poeira pode sofrer dano irreversível; fora desse ambiente, a abertura de um HD é um risco, não um procedimento.

Estações

Estações dedicadas de recuperação

Bancadas separadas para diagnóstico, intervenção física e aquisição, com hardware especializado capaz de ler discos instáveis e acessar o firmware das mídias.

Doadores

Banco de HDs doadores e receptores

Acervo de discos compatíveis para transplante de componentes: placas lógicas, motores e conjuntos de cabeças. Cada doador utilizado é identificado e registrado no relatório.

Aquisição

Ferramentas de imagem forense

Duplicadores e bloqueadores de escrita para gerar a imagem bit a bit com hash, além de ferramentas de acesso a firmware para mídias que não respondem pelos meios convencionais.

Cenários por tipo de dano

Três famílias de dano, três rotas de recuperação

Lógico

Dano lógico

Exclusão acidental ou intencional, formatação, corrupção do sistema de arquivos, ransomware e falha de firmware. A recuperação acontece sobre a imagem forense: a evidência de quando e como o dado foi apagado muitas vezes vale tanto quanto o próprio dado.

Eletrônico

Dano eletrônico

Placa lógica queimada por surto ou queda de energia, conectores danificados. Transplante de PCB com transferência de ROM e adaptação de firmware, com o componente doador documentado.

Físico

Dano físico

Cabeças de leitura colididas, motor travado, pratos comprometidos. Substituição do conjunto de cabeças com doador compatível, em cabine de fluxo laminar; a abertura fora desse ambiente contamina os pratos e pode tornar a perda irreversível.

Cenários por tipo de mídia

Cada mídia falha de um jeito

HDD

Discos rígidos

Internos, externos e de notebook: falhas mecânicas, de firmware e setores defeituosos. Imagem com hardware especializado que lê discos instáveis sem forçá-los além do necessário.

SSD · NVMe

SSD, NVMe e M.2

Falha de controlador, acesso em modo técnico e chip-off. Com franqueza: em SSDs saudáveis, o comando TRIM apaga fisicamente as células pouco após a exclusão, e dados deletados frequentemente não retornam. Já SSDs com falha de controlador podem preservar dados que o TRIM não chegou a processar.

Flash

Pendrives e cartões de memória

Leitura direta dos chips NAND (chip-off) e acesso a mídias monolíticas via pinout, quando o controlador deixa de responder.

RAID · NAS

RAID, NAS, servidores e VMs

Reconstrução de arranjos 0, 1, 5, 6 e 10, com imagem individual de cada membro antes de qualquer remontagem: nenhuma tentativa acontece sobre os discos originais.

Móveis

Celulares danificados

Reparo do aparelho para viabilizar a extração forense, quando o conteúdo é o objeto da perícia: o dispositivo volta a responder para que a evidência seja adquirida com método.

Legadas

Mídias legadas

Fitas e mídias óticas, sob consulta: relevantes em inventários, arquivos empresariais antigos e obrigações de guarda de longo prazo.

Como funciona

O processo em sete etapas

01 · TriagemContato inicial, descrição do incidente e orientação imediata: o que não fazer com a mídia até o envio
02 · RecebimentoFotografia do estado original, registro de identificadores, lacre numerado e abertura do termo de cadeia de custódia
03 · DiagnósticoAvaliação técnica do cenário de dano e orçamento; nenhuma execução antes da aprovação
04 · AquisiçãoImagem forense bit a bit com hash SHA-256; nos danos físicos, intervenção documentada seguida da imagem
05 · RecuperaçãoTodo o trabalho de recuperação acontece sobre a cópia; o original permanece preservado
06 · VerificaçãoConferência de integridade e relação do que foi recuperado, do que não foi e por quê
07 · EntregaDados em mídia nova, relatório técnico ou laudo e devolução da mídia original lacrada
O alerta

Quando a recuperação comum destrói o valor probatório

Situações reais, vistas com frequência em mídias que chegam ao laboratório depois de passar por outras mãos:

A régua não é teórica. No AgRg no HC 828.054/RN (5ª Turma, 2024), prints feitos diretamente no celular apreendido, sem ferramenta de extração, sem hash e sem documentação, resultaram em prova inadmissível. No RHC 205.441/GO (6ª Turma, 2025), o aparelho sem lacre e sem registro de IMEI levou à nulidade. No HC 943.895/PR (5ª Turma, 2025), o acesso ao celular antes da perícia tornou as provas imprestáveis. O rigor que anula a prova mal manuseada é o mesmo que ameaça o dado recuperado sem método.

Casos de uso

Onde a recuperação forense decide casos

Trabalhista

Equipamento devolvido em branco

E-mails e arquivos apagados por ex-funcionário; o notebook devolvido vazio que precisa contar o que continha, quando foi esvaziado e por quem.

Societário

Disputas empresariais

Concorrência desleal, desvio de clientela e sabotagem de dados; a apuração interna documentada desde o início, para o caso de virar ação judicial.

Criminal

Vestígio em mídia danificada

A mídia danificada que contém o vestígio do caso, recuperada com método defensável; assistência técnica de acusação ou defesa.

Sucessões

Inventário digital

Acesso a documentos, contabilidade, criptoativos e fotos do falecido, com legitimidade comprovada e documentação que previne disputa entre herdeiros.

Seguros

Sinistros e seguradoras

Demonstração técnica do conteúdo perdido em sinistros e disputas de cobertura, com relação de arquivos e relatório que sustenta o pleito.

Backup falho

O backup que falhou na hora decisiva

A rotina de backup existia, mas o arquivo restaurado veio corrompido ou incompleto justamente quando o processo o exigia. A recuperação forense busca o dado na origem e o devolve com a documentação que sustenta seu uso como prova.

O comparativo

Recuperadora comum e laboratório forense, lado a lado

Recuperadora comum
ObjetivoDevolver os arquivos
Primeiro atoTentativas de leitura diretamente no original
IntegridadeSem controle: nenhum hash de aquisição
ManipulaçãoNão registrada
IntervençãoSem registro do que foi aberto ou trocado
EntregaPasta de arquivos
ExecuçãoTécnico de laboratório
Em juízoImpugnável: cadeia de custódia inexistente
Laboratório forense
ObjetivoDevolver os arquivos com valor probatório
Primeiro atoFotografia, lacre e imagem forense bit a bit
IntegridadeHash SHA-256 verificável por qualquer das partes
ManipulaçãoRegistro nominal de cada ato (CPP, arts. 158-A a 158-F)
IntervençãoDoadores identificados e etapas fotografadas
EntregaArquivos, relatório técnico ou laudo e mídia original lacrada
ExecuçãoPerito forense que também atua como perito judicial e assistente técnico
Em juízoDefensável: método repetível e documentado

A síntese: a recuperação comum responde à pergunta "onde estão meus arquivos?". A recuperação forense responde também à pergunta seguinte: "como se prova que são eles?".

Limitações declaradas

O que a recuperação forense não promete

A honestidade técnica faz parte do método. Antes de qualquer contratação, vale saber:

Dúvidas frequentes deste núcleo
Qual a diferença entre recuperação de dados comum e recuperação forense?
A recuperação comum busca devolver os arquivos; a forense devolve os arquivos com a documentação que os sustenta como prova: fotografia do recebimento, lacre, imagem bit a bit antes de qualquer intervenção, hash SHA-256, registro de cada manipulação e relatório técnico. Quando o dado importa para um processo, essa diferença decide se a prova fica de pé.
Todo dado é recuperável?
Não. Pratos riscados na área dos dados, chips de memória fisicamente destruídos e sobrescrita real significam perda definitiva. O diagnóstico identifica o cenário e declara com franqueza o que é viável antes de qualquer cobrança de recuperação.
O que é cadeia de custódia e por que ela importa no meu processo?
É o registro rastreável de tudo o que aconteceu com o vestígio: quem manipulou, quando, o quê e por quê, do recebimento ao descarte. Está no CPP (arts. 158-A a 158-F, incluídos pela Lei 13.964/2019) e na ABNT NBR ISO/IEC 27037. Sem ela, a parte contrária impugna a prova alegando manipulação, e o STJ vem acolhendo essa tese em decisões recentes.
O que é o hash e como ele demonstra que o arquivo não foi alterado?
O hash é uma impressão digital matemática do dado: qualquer alteração de um único bit gera um valor completamente diferente. O hash SHA-256 calculado na aquisição permite que qualquer das partes, a qualquer tempo, confira se a cópia examinada é idêntica ao que foi adquirido. É o critério de integridade que o STJ consolidou para a prova digital.
Meu HD já passou por outra empresa de recuperação. Ainda dá para usar os dados como prova?
Em muitos casos, sim. A cadeia de custódia passa a ser certificada a partir do recebimento no laboratório, com o histórico anterior registrado como ressalva no laudo. O valor probatório fica mais exposto a questionamentos do que ficaria se o método forense tivesse começado antes, mas a documentação dali em diante preserva o que ainda pode ser preservado.
O HD é aberto? Isso não o danifica?
A abertura, quando necessária, acontece em cabine de fluxo laminar, com ar filtrado e controlado, usando componentes doadores compatíveis; cada etapa é fotografada e registrada. O risco real está na abertura fora desse ambiente: partículas comuns de poeira sobre os pratos podem tornar a perda irreversível.
Quanto custa e quanto tempo demora?
Depende do cenário, e só o diagnóstico o define: uma recuperação lógica, um transplante de conjunto de cabeças e um chip-off são trabalhos de complexidade muito diferente. O orçamento é apresentado após o diagnóstico e antes de qualquer execução; nada é feito sem aprovação.
E se a mídia estiver criptografada (BitLocker, FileVault, celular bloqueado)?
A recuperação física pode ser bem-sucedida e, ainda assim, o conteúdo permanecer ilegível sem a chave ou senha legítima. Com credenciais fornecidas pelo titular ou por quem detém legitimidade, o conteúdo é decifrado e documentado normalmente. A criptografia de hardware de alguns SSDs, porém, pode inviabilizar técnicas como o chip-off; o diagnóstico esclarece cada caso.

Consulte também

Forense Computacional →   Laudos e Pareceres →   Laboratório Forense →

O dado que o seu caso perdeu ainda pode virar prova

Quanto menos tentativas caseiras a mídia sofrer, maior a chance de recuperação íntegra. O diagnóstico define viabilidade, cenário de dano e orçamento antes de qualquer execução.

Solicitar diagnóstico
Casos representativos

O nível de trabalho que você contrata

Antes de decidir, vale ver o que já passou por este laboratório: casos descritos sem identificar as partes, no formato desafio, método e resultado.

Ver todos os casos representativos →

A prova técnica de que seu caso precisa. A autoridade que o juízo respeita.

Consulta inicial de viabilidade sem custo. Resposta em até 24h em dias úteis.
Consulta confidencial